Lagarde é um nome de respeito no mundo do vinho argentino. Uma vinícola que este ano está comemorando 120 anos e que ano após ano, vai melhorando seus vinhos, mesmo que pareça difícil, já que seus vinhos tem uma consistência impressionante em todas as linhas. Mas o que seria de um vinho se não fosse feito com amor e carinho? E é isso que eles sabem fazer desde 1897. Hoje, a vinícola é tocada pela terceira geração da família, especificamente pelas atenciosas e carinhosas Sofia Pescarmona e sua irmã Lucila, que hoje mora nos Estados Unidos e faz um importante trabalho de marca por lá.

 

Na parte enológica, Juan Roby, o querido e competente enólogo da Lagarde, faz com maestria todos os vinhos, que tem a elegância como principal elo de ligação entre as diferentes linhas.

               Juan Roby, Enólogo da Lagarde

Por falar em linhas, vamos a elas. Num almoço oferecido pela importadora Devinum, que traz os vinhos da Lagarde com exclusividade, pude provar alguns dos vinhos e conversar um pouco mais com Juan Roby sobre eles.

 

Começando pela linha Altas Cumbres, a linha de entrada da vinícola em que a fruta é a principal personagem. A linha tem os brancos Sauvignon Blanc, Torrontés, Viognier e os tintos Malbec e Cabernet Sauvignon. E é do Cabernet Sauvignon que quero falar. O Altas Cumbres Cabernet Sauvignon 2015 é um vinho muito fácil de beber. Como disse antes, muita fruta e equilíbrio no vinho, sem sobrar álcool e nem amargor, o que muitas vezes é comum em vinhos de entrada. Um vinho de R$ 48,00 que vale muito a compra!

 

Depois vem a linha que leva o nome da vinícola: A linha Lagarde, que tem os brancos Semillon, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Viognier, o Rosé “Blanc de Noir” e os tintos Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot e claro, Malbec. E falando de Malbec, este Lagarde Malbec 2016 é um daqueles Malbecs que podemos chamar de um típico Malbec Argetino. Corpo médio, taninos redondos e macios e muita fruta como ameixas e cerejas e madeira sutil, que ajuda na complexidade do vinho. Por R$ 72,00, um super vinho!

A linha Guarda, pra mim, é a linha com melhor custo x benefício da vinícola. Entrega uma qualidade maravilhosa, de grandes vinhos, que podem envelhecer bem por uns 10 anos, mas podem ser bebidos jovens também. A linha é composta de um Malbec, Um Cabernet Sauvignon, um blend e um Cabernet Franc, que é meu vinho queridinho da vinícola. Este Guarda Cabernet Franc 2014, com garrafas numeradas, é um dos motivos pelos quais eu me apaixonei por esta uva na Argentina. Um vinho que tem 12 meses de barricas, mas que é de uma elegância impressionante. Excelente acidez, fruta equilibrada com algo herbáceo, típico desta uva e complementado pelo aporte da madeira, que deixa o vinho redondo, delicioso. Por R$ 125,00 é um vinho muito superior a outros concorrentes com este preço.

Primeras Viñas é uma das novas linhas da vinícola, que teve sua primeira safra em 2012 e foi idealizada para retratar os vinhedos mais velhos da vinícola. Tem as 2 principais variedades da Lagarde: Cabernet Sauvignon e Malbec. O Primeras Viñas Malbec 2013 é um Malbec de altíssimo nível, para brigar com os grandes ícones argentinos desta uva, com uma diferença importante para mim: Aqui, a madeira, por mais que seja importante com 12 a 14 meses de amadurecimento, ela é muito elegante e não encobre a fruta. Uma acidez maravilhosa, final de boca longo e complexidade que certamente dão a este vinho bons anos de garrafa ainda pela frente. R$ 242,00.

 

Por último, o ícone da vinícola. Henry é o apelido de Henrique Pescarmona, pai de Lucila e Sofia e que por muito tempo comandou a vinícola. Um personagem altamente respeitado no mundo do vinho argentino. O Henry foi um dos primeiros vinhos ícones argentinos que tomei na vida, muito tempo atrás. E ele não muda sua elegância, sua complexidade e sua excelência. Para mim, um dos melhores vinhos argentinos que já bebi e que mantém grande consistência safra após safra. O Henry Gran Guarda 2011 é um blend de Malbec e Cabernet Sauvignon que impressiona. Apesar dos já 6 anos de idade, é um vinho que vai passar de 1 década de guarda em grande estilo. Um vinhaço que vale cada gole! R$ 352,00.

Ah, e no apagar das luzes, veio o gran finalle. O Henry Cosecha Tardía 2010. Um vinho de sobremesa feito com a uva Moscato Bianco que consegue algo muito importante para um vinho de sobremesa: Ter boa doçura e boa acidez para que ele não fique enjoativo. Passou quase 1 ano e meio em barricas de carvalho francês e ele vai maravilhosamente bem com quase todos os tipos de sobremesa. Um vinho incrível! R$ 115,00 (garrafa de 375ml).

Sim, o post ficou longo. Longo como são os vinhos da Lagarde. Mas não dá pra falar pouco ou mais ou menos de uma vinícola assim e nem dos seus vinhos. O que é bom, deve-se falar bem! 120 anos de muita qualidade, consistência e carinho. Com as uvas, com os vinhos e principalmente, com as pessoas.

Cheers!!

Abraços,

Déco